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22 de agosto de 2011

Setembro Negro: o melhor do black metal

Dia 2 de setembro o African Bar sediará o Festival Setembro Negro. O maior evento brasileiro de Black/Death Metal contará com a presença das bandas de black metal Belphegor (Áustria) e Ragnarok (Noruega). A abertura do festival ficará por conta das bandas paraenses Eternal Darkness e Disgrace and Terror. Ingressos antecipados na Distro Rock (R$ 50,00).

A Leprosys, juntamente com a Tumba Produções, trará pela primeira vez à cidade das mangueiras, ou melhor, à “terra do fogo” (como define um dos grupos de abertura) as bandas Belphegor e Ragnarok - que já são lendas do gênero, trazendo aos adoradores do estilo uma noite de manifesto contra a cultura religiosa da cidade. A produção do Festival adianta, ainda, que trará as bandas Violator, em outubro, e Torture Squad, em novembro.

Apesar de usarem simbolismos satânicos, muitos desses fiéis bangers o fazem não só para mostrar desprezo pelo que é valorizado no mainstream, mas para se contraporem a cultura religiosa (defendendo a liberdade ao invés do satanismo).

Belphegor, o demônio da preguiça, das descobertas e dos inventos; e Ragnarok, o apocalipse dos deuses/do supremo, fazem fusão contra a rivalidade que geralmente é vista nos subgêneros do Black Metal, em prol de sustentar de forma inteligente suas idéias através do corpse paint e da fidelidade da língua de origem de velhos cultos anticristãos.

As bandas belenenses Eternal Darkness e a Disgrace and Terror - que toca Thrash\Death metal oitentista com qualidade e brutalidade - só têm o que celebrar em suas respectivas carreiras: a primeira está lançando seu terceiro CD e a segunda se prepara para a sua turnê pela Europa.

Pelo celular, conversei com o vocalista do Disgrace and Terror, Rot, que contou sobre o Festival e os projetos da banda:

BEATRIZ: O Disgace já circulou por boa parte do Brasil. Como é a receptividade do público? É igual à de Belém?

ROT: Com certeza o pessoal do nordeste se compara com Belém em termos de receptividade. Aqui em Belém o público é bem fiel. O pessoal sempre vai aos shows e compra o nosso material. No nordeste é a mesma coisa. Conhecem bem o Disgrace, pois já circulamos por quase toda a região.

BEATRIZ: Muitas bandas de metal tradicional, estando fora do mainstream, podem encontrar certa dificuldade para vir ao Brasil. Com qual banda estrangeira você tem vontade de tocar?

ROT: Com o Slayer. Eles só circularam pelo sul e sudeste quando vieram ao Brasil. Fazemos turnês por lá também, mas ainda não tivemos a oportunidade de tocar com os caras.

BEATRIZ: Qual sua opinião sobre a simbologia satânica que o Black Metal usa?

ROT: Olha, cada artista tem que ter uma boa atitude para mostrar. Cada banda vai de acordo com o segmento artístico que possui, e pronto. Não tenho nada contra o Black metal. Sou a favor da música, do som.

BEATRIZ: Você já conhecia o trabalho das bandas que tocarão no Festival? A atitude delas possui certa ligação com a do Disgrace?

ROT: Conhecia, sim. Bem, o Disgrace não tem nada de Black, a única semelhança é que fazemos metal extremo. Como disse, não temos nada contra. Já tocamos bastante com bandas de Black metal, tanto em Belém como em outros lugares.

BEATRIZ: Vocês farão, pela primeira vez, uma turnê pela Europa. Qual a expectativa dos integrantes?

ROT: Bem, estamos planejando a turnê desde novembro de 2010. Encaramos com muita seriedade, pois vamos fazer 21 shows. Afinal de contas, são seis países em uma turnê que vai terminar somente em novembro. Desde que começamos a fechar os lugares, estamos nos preparando psicologicamente e fisicamente. A adrenalina está grande, principalmente agora que a data da turnê está perto. Para nós é um momento histórico, já que é a primeira vez que uma banda de metal do norte faz uma turnê européia.


SERVIÇO:

SETEMBRO NEGRO FESTIVAL

Bandas: Belphegor (Áustria), Ragnarok (Noruega), Eternal Darkness (lançamento do 3º CD) e Disgrace and Terror (show que antecede a tour européia 2011)

Local: African Bar

Data: 2 de setembro (sexta-feira)

Horário: 21 horas

Ingressos: R$ 50,00 à venda Distro Rock (Rua dos 48, em frente ao shopping Pátio Belém)


Por @Beatriz_Brito_

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31 de março de 2011

Metal Paraense: Mercado em ascensão?!

Muita gente achou que era brincaderia quando a BIS Produções anunciou há quase um ano o show da banda britânica Iron Maiden em Belém, no Dia da Mentira. Mas agora essa é uma realidade mais do que concreta. Ontem eu conversei com Darlan Ribeiro, da BIS, que disse que a produtora espera cerca de 10 mil pessoas para o show. É apenas um pouco menor do que a média de público de outras cidades por onde a “Final Frontier Tour” passou. “Perde para São Paulo, porque o público paulistano é maior em tudo”, disse Darlan.

O show do Iron Maiden, por mais que alguns tentem ignorar, é uma realidade presente e celebrada em Belém hoje. Na loja Ná Figueredo, por exemplo, a cada dia, dezenas de camisetas da coleção especial “Iron Maiden” são vendidas para famílias inteiras. Jovens que nem gostavam tanto de metal assim se empolgam com o evento. Não é para menos. Amanhã, por voltas das 17h, quando os portões da Cidade Folia forem abertos para o heavy metal, muito marmanjo vai chorar de alegria. Pode até ser que alguns caiam bêbados de alegria antes do show começar.

“Eu comprei meu ingresso no segundo dia das vendas abertas”, conta Zé Lukas, vocalista da banda A Red Nigthmare, uma das novidades da nova cena de metal em Belém. Além do evento em si, a esperança de Zé, e de dez a cada dez headbangers paraenses, é que Belém seja, a partir desse evento, incluída definitivamente na rota de shows internacionais.

Essa perspectiva é abordada clara e abertamente na edição de hoje do jornal O Liberal, em que o caderno Magazine dá informações também sobre a infraestrutura do show. “O show do Iron Maiden mostra que Belém pode entrar no cenário internacional dos grandes shows”, disse o coordenador de produção do show Kleber Martins ao jornal.

Definitivamente, o gênero é forte em Belém. Além da banda pioneira do trash metal brasileiro, Stress, que, aliás, mui merecidamente vai abri o show da donzela de ferro, a cidade tem hoje uma cena fortíssima. Uma cena ignorada pela nova onda da música paraense, baseada na guitarrada e no tecnomelody.

Além dessa conclusão de que há mercado para os shows internacionais, o show do Iron Maiden, juntamente com outros eventos, mostra que nosso público é maior e precisa ser contemplado além das visões míopes dos produtores descolados. (Tem mercado para todo mundo. Desde que o jogo seja jogado com inteligência e sem mesquinharias. É preciso pensar grande, do jeito que nós somos grandes.)

Mas voltando ao heavy metal, além de A Red Nightmare, as bandas Anúbis, Hellride
Necroskinner e Warpath, todas paraenses, foram selecionadas pela revista Roadie Crew para a etapa local da Wacken Metal Battle. Trata-se de uma seletiva para o Festival Wacken, que acontece todo ano desde 1990 na cidade alemã de mesmo nome.
Apesar de realizar etapas brasileiras para o festival desde 2005, é a primeira vez que a Roadie Crew vai realizar, com produção local, uma etapa paraense. Graças a parceria da Pro Rock com as bandas selecionadas.

Sem dúvida, shows como o do Iron Maiden são estímulos para outras ações como essa. Bandas como Reataliatory e Disgrace And Terror, além, é óbvio, do Madame Saatan, também fazem a fama do metal paraense pelo Brasil e pelo mundo afora. E, melhor, ninguém precisa mais viver o dilema de sufocar a “música regional”. Hoje, a nova onda da guitarrada e tecnomelody, capitaneada por Gaby Amarantos e Pio Lobato, pode muito bem conviver com o mercado que não discrimina estilos nem gêneros. É verdade que é preciso ações estratégicas, para não deixar que gêneros e estilos tradicionais sejam suprimidos, sufocados. Enfim, para que eles sejam mantidos com dignidade, por fazerem parte importante da nossa cultura.

Mas é bom poder ver o mercado crescer. Que o rock possa ensinar aos demais gêneros suas virtudes, como força e dignidade de princípios, para possamos construir um mercado forte e diferente dos mercados viciados que já existem por aí. Quem diria que o gênero que já foi sinônimo de excessos e depravação, pudesse embalar hinos religiosos como hoje em dia. Pois é, o rock não é mais o mesmo.


Por @Nicobates
www.qualquerbossa.blogspot.com

Nas fotos: Iron Maiden, A Red Nigthmare e Anubis
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