O grupo paraense de rock Álibi de Orfeu anunciou neste sábado,23, oficialmente, através do Twitter da banda (@alibideorfeu), a substituta da cantora Gláfira Lobo, que anunciou sua saída da banda aqui no blog da Pro Rock, há pouco mais de uma semana. O tweet revelador dizia o seguinte: “Para quem estava morrendo de curiosidade: a nova vocalista do Álibi de Orfeu é a cantora lírica Gabriella Florenzano (@gabiflorenzano)”. O tweet foi seguido de algumas fotos da nova formação, feitas pelo fotógrafo Victor Estácio (@Victor_estácio), que acompanha a banda há algum tempo. O Álibi de Orfeu foi fundando no final dos anos 80 e mantém em sua formação atual apenas o baterista Rui Paiva como membro original, que também é o atual presidente da Associação Pro Rock. Além dele e de Gabi, a banda tem ainda o contrabaixista Sidney KC, e os guitarristas Rafael e Elaine.
Gabriella tem duas coincidências como a primeira vocalista, o primeiro nome (Gabriela Pinheiro) e o canto lírico. Aos 25 anos de idade, Gabi é formada em canto lírico pela Faculdade de Música Carlos Gomes, de São Paulo, que cursou depois que se formou em Publicidade. Entusiasmada como a entrada no Álibi, ela falou com exclusividade ao blog da Pro Rock sobre esse novo projeto. Confira.
Nicobates: Que tal a gente começar um pouco com o teu currículo. Fala um pouco do que você já fez no mundo da música...
Gabriella Florenzano: Pois é, eu sou cantora lírica. Bacharel em canto erudito pela Faculdade de Música Carlos Gomes, de São Paulo. Eu comecei a cantar bem novinha, na banda do colégio, banda Marista, hahaahaha. E quando eu era adolescente comecei a cantar em bandas de metal, inclusive eu cantei por alguns meses com o Álibi quando eu tinha 16 anos. Nessa época eu tava estudando pro vestibular, essas coisas. Acabei entrando no curso de Publicidade e Propaganda. Comecei a trabalhar na área e me afastei dos palcos. Depois de três anos eu estava "na pilha" pra voltar a cantar, mas então eu fui aconselhada por duas pessoas, o barítono Francisco Campos e a cantora de jazz americana Deborah Davis, a estudar canto lírico, que, depois, eu aplicaria a técnica a qualquer estilo que eu quisesse. Aí, no meu último ano da faculdade de publicidade eu entrei no curso da Escola de Música da UFPA. Eu já gostava de ópera, mas não tinha a pretensão de me tornar uma cantora lírica. Só que eu me apaixonei e decidi que iria investir naquilo, então eu me formei e fui pra Sampa.
Largaste a Publicidade?
Não. Me formei em Publicidade e fui pra São Paulo fazer vestibular de novo. E passei em primeiro lugar. Aí, eu me mudei pra lá, fiz a faculdade, me formei, cantei em vários recitais lá, em Osasco, em Curitiba. Cantei aqui em Belém também. Quando eu me formei eu estreei em ópera inclusive aqui, como a Sorceress (Feiticeira), vilã da ópera Dido And Aeneas do Henry Purcell, regida pelo maestro francês Philippe Forget
Então, atualmente a tua atividade principal é o canto?
É, o canto lírico, eu não cantava rock há anos.
E como surgiu o convite pra tocar no Álibi nessa nova fase? Quando o Rui me ligou, falando que a Gláfira tava saindo e que eles estavam atrás de uma nova vocalista, e perguntando se eu queria, eu pensei "por que não, né?". Eu sou fã do Álibi há muito tempo, a primeira vocalista, a Gabriela Pinheiro, era cantora lírica também e já tinha um tempo que eu estava com vontade de fazer um trabalho novo porque a carreira de cantora lírica te restringe a ser uma intérprete, enquanto com o Álibi eu tenho a oportunidade de desenvolver um trabalho próprio, com a minha criatividade. E quando eu conversei com eles, quando soube do que eles estavam planejando para a banda tudo "casou", sabe? Parece que estávamos predestinados hahaahahah. E a verdade é que, apesar de ter parado de cantar rock, eu nunca parei de gostar de rock. Eu gosto de rock desde criancinha, desde bebê. E isso é verdade, minha mãe me criou escutando Beatles, Pink Floyd, Queen, Guns 'n' Roses. Eu ainda criança me apaixonei por Led Zeppelin, Black Sabbath, Judas Priest. Sou MUITO fã da Nina Hagen, que também era uma cantora lírica, e que inovou o punk rock.
E como foi o contato com a banda? Vocês estão ensaiando?
Eu já conhecia há muito tempo o Rui e o KC, então, me entrosar com eles não foi problema. E os dois guitarristas, que também são novos na banda, tem um perfil parecido com o meu. Também são graduados em música e acreditam na idéia do Álibi, que é um rock and roll bem feito. Nós estamos ensaiando a todo gás, já estamos inclusive começando a compor.
Quando vai ser sua estréia?
A minha estréia vai ser agora em maio. Ainda não tenho a data certa. A única coisa certa é dia 27, na TV e Rádio Cultura, e dia 3 de junho faremos um tributo aos Secos e Molhados e Mutantes no Teatro Gasômetro. Vão rolar coisas antes, mas ainda não temos a data certa pra eu te dar.
E os planos da banda a médio e a longo prazo?
Olha, nós estamos em processo de composição. Um projeto novo e inovador, hahaha. Que ainda é segredo, e que temos planos de lançar no final deste ano.
Opa, então tá. Pra finalizar queria te perguntar sobre o rock local atual. O que você tem visto, como vislumbra esse momento...
Olha, como eu fiquei anos fora de Belém, acabei também ficando "por fora" do que acontecia no cenário, mas de vez em quando eu descubro umas coisas muito legais, tipo aquele Projeto Secreto Macacos, que eu gosto pra caramba! Eu acho que aqui sempre tiveram bandas legais. As que já tão há um tempinho, que já tem um "nome". Mas o bacana é que, rodando pelos shows, eu já vi várias bandas legais, que estão se dedicando a uma produção legal, cavando espaço no cenário nacional. Isso é muito importante.
Por @nicobates
Fotos: Victor Estácio (banda) e Marcos Joel Reis (Gabi)
Saiba mais sobre o Álibi de Orfeu
www.alibideorfeu.com

