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23 de abril de 2011

"Parece que estávamos predestinados"

O grupo paraense de rock Álibi de Orfeu anunciou neste sábado,23, oficialmente, através do Twitter da banda (@alibideorfeu), a substituta da cantora Gláfira Lobo, que anunciou sua saída da banda aqui no blog da Pro Rock, há pouco mais de uma semana. O tweet revelador dizia o seguinte: “Para quem estava morrendo de curiosidade: a nova vocalista do Álibi de Orfeu é a cantora lírica Gabriella Florenzano (@gabiflorenzano)”. O tweet foi seguido de algumas fotos da nova formação, feitas pelo fotógrafo Victor Estácio (@Victor_estácio), que acompanha a banda há algum tempo.
O Álibi de Orfeu foi fundando no final dos anos 80 e mantém em sua formação atual apenas o baterista Rui Paiva como membro original, que também é o atual presidente da Associação Pro Rock. Além dele e de Gabi, a banda tem ainda o contrabaixista Sidney KC, e os guitarristas Rafael e Elaine.
Gabriella tem duas coincidências como a primeira vocalista, o primeiro nome (Gabriela Pinheiro) e o canto lírico. Aos 25 anos de idade, Gabi é formada em canto lírico pela Faculdade de Música Carlos Gomes, de São Paulo, que cursou depois que se formou em Publicidade. Entusiasmada como a entrada no Álibi, ela falou com exclusividade ao blog da Pro Rock sobre esse novo projeto. Confira.

Nicobates: Que tal a gente começar um pouco com o teu currículo. Fala um pouco do que você já fez no mundo da música...

Gabriella Florenzano: Pois é, eu sou cantora lírica. Bacharel em canto erudito pela Faculdade de Música Carlos Gomes, de São Paulo. Eu comecei a cantar bem novinha, na banda do colégio, banda Marista, hahaahaha. E quando eu era adolescente comecei a cantar em bandas de metal, inclusive eu cantei por alguns meses com o Álibi quando eu tinha 16 anos. Nessa época eu tava estudando pro vestibular, essas coisas. Acabei entrando no curso de Publicidade e Propaganda. Comecei a trabalhar na área e me afastei dos palcos. Depois de três anos eu estava "na pilha" pra voltar a cantar, mas então eu fui aconselhada por duas pessoas, o barítono Francisco Campos e a cantora de jazz americana Deborah Davis, a estudar canto lírico, que, depois, eu aplicaria a técnica a qualquer estilo que eu quisesse. Aí, no meu último ano da faculdade de publicidade eu entrei no curso da Escola de Música da UFPA. Eu já gostava de ópera, mas não tinha a pretensão de me tornar uma cantora lírica. Só que eu me apaixonei e decidi que iria investir naquilo, então eu me formei e fui pra Sampa.

Largaste a Publicidade?

Não. Me formei em Publicidade e fui pra São Paulo fazer vestibular de novo. E passei em primeiro lugar. Aí, eu me mudei pra lá, fiz a faculdade, me formei, cantei em vários recitais lá, em Osasco, em Curitiba. Cantei aqui em Belém também. Quando eu me formei eu estreei em ópera inclusive aqui, como a Sorceress (Feiticeira), vilã da ópera Dido And Aeneas do Henry Purcell, regida pelo maestro francês Philippe Forget

Então, atualmente a tua atividade principal é o canto?

É, o canto lírico, eu não cantava rock há anos.

E como surgiu o convite pra tocar no Álibi nessa nova fase?

Quando o Rui me ligou, falando que a Gláfira tava saindo e que eles estavam atrás de uma nova vocalista, e perguntando se eu queria, eu pensei "por que não, né?". Eu sou fã do Álibi há muito tempo, a primeira vocalista, a Gabriela Pinheiro, era cantora lírica também e já tinha um tempo que eu estava com vontade de fazer um trabalho novo porque a carreira de cantora lírica te restringe a ser uma intérprete, enquanto com o Álibi eu tenho a oportunidade de desenvolver um trabalho próprio, com a minha criatividade. E quando eu conversei com eles, quando soube do que eles estavam planejando para a banda tudo "casou", sabe? Parece que estávamos predestinados hahaahahah. E a verdade é que, apesar de ter parado de cantar rock, eu nunca parei de gostar de rock. Eu gosto de rock desde criancinha, desde bebê. E isso é verdade, minha mãe me criou escutando Beatles, Pink Floyd, Queen, Guns 'n' Roses. Eu ainda criança me apaixonei por Led Zeppelin, Black Sabbath, Judas Priest. Sou MUITO fã da Nina Hagen, que também era uma cantora lírica, e que inovou o punk rock.

E como foi o contato com a banda? Vocês estão ensaiando?

Eu já conhecia há muito tempo o Rui e o KC, então, me entrosar com eles não foi problema. E os dois guitarristas, que também são novos na banda, tem um perfil parecido com o meu. Também são graduados em música e acreditam na idéia do Álibi, que é um rock and roll bem feito. Nós estamos ensaiando a todo gás, já estamos inclusive começando a compor.

Quando vai ser sua estréia?

A minha estréia vai ser agora em maio. Ainda não tenho a data certa. A única coisa certa é dia 27, na TV e Rádio Cultura, e dia 3 de junho faremos um tributo aos Secos e Molhados e Mutantes no Teatro Gasômetro. Vão rolar coisas antes, mas ainda não temos a data certa pra eu te dar.

E os planos da banda a médio e a longo prazo?

Olha, nós estamos em processo de composição. Um projeto novo e inovador, hahaha. Que ainda é segredo, e que temos planos de lançar no final deste ano.

Opa, então tá. Pra finalizar queria te perguntar sobre o rock local atual. O que você tem visto, como vislumbra esse momento...

Olha, como eu fiquei anos fora de Belém, acabei também ficando "por fora" do que acontecia no cenário, mas de vez em quando eu descubro umas coisas muito legais, tipo aquele Projeto Secreto Macacos, que eu gosto pra caramba! Eu acho que aqui sempre tiveram bandas legais. As que já tão há um tempinho, que já tem um "nome". Mas o bacana é que, rodando pelos shows, eu já vi várias bandas legais, que estão se dedicando a uma produção legal, cavando espaço no cenário nacional. Isso é muito importante.

Por @nicobates
Fotos: Victor Estácio (banda) e Marcos Joel Reis (Gabi)

Saiba mais sobre o Álibi de Orfeu
www.alibideorfeu.com
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8 de abril de 2011

Gláfira anuncia saída do Álibi de Orfeu



Depois de um casamento de oito anos entre Álibi de Orfeu e Gláfira Lobo, nesta semana a banda anuncia a saída da vocalista. Ela se despede do grupo para investir em sua carreira acadêmica e para dar continuidade a outros projetos.

“Deixei o Álibi para não prejudicá-los. Meus horários não estavam batendo com os da banda. Amo demais o grupo e não estava produzindo. Estou triste, mas ao mesmo tempo feliz. É como se fosse um filho que sai de casa e vai casar com outra mulher. Estou feliz porque eles vão ficar bem. Vai dar certo”, afirma Gláfira ao mostrar que sai da banda com saudade dos integrantes.

Gláfira afirma ser apaixonada pelos estudos e encerra sua participação no grupo para investir nessa área. Está buscando fazer mestrado em cultura e desenvolvimento no estado da Bahia. O baterista e fundador da banda, Rui Paiva, comenta que ela fará muita falta, mas que deve correr atrás dos seus estudos. “Está fazendo a coisa certa. O nosso convívio foi muito bom. Quero que ela procure sempre o melhor. Que seja sempre feliz! Foram oito anos de grandes contribuições”, contou.

O baixista Sidney HC também lamenta “o que mais esta pesando é que foram oito anos de convivência. Vamos sentir muita falta, estamos torcemos muito por ela. Tem que correr atrás. O estudo é muito importante”.

A vocalista explica sua saída: “Estou com vários projetos em andamento. Inclusive um que eu coordeno. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Alguns desses projetos dependem de mim. O Álibi não. Se eu sair, a banda não acaba. Os outros sim. Os caras são bons, a banda vai continuar fazendo sucesso”.

Não foi por motivos da saída da vocalista que os shows do tributo aos Mutantes e Secos e Molhados foram cancelados. Os shows seriam dia 13 de abril, para o projeto “Uma Quarta de Música” do Teatro Margarida Schivasappa e dia 9 de abril no programa Balanço do Rock, na Rádio Cultura FM. Sidney informou que ela cumpriu a agenda que eles tinham programado. E Gláfira justificou que a banda não estava conseguindo se encontrar para ensaiar. “Sempre não dava para um. Então não queríamos fazer uma apresentação meia boca”.

A banda já fez uma seleção para escolher uma jovem para ser a vocalista. Ela já começou a ensaiar, Rui disse que ela está em fase de teste, que assim que for oficial, dará uma entrevista especial para Pro Rock. Sidney comentou que estão preparando uma festa de despedida para Gláfira. “Para ter uma noção como está complicada minha vida, eles já me falaram da festa, é que são tantas coisas que eu precisava saber para não correr o risco de ter compromisso e faltar na minha festa”, disse, entre risos.


Por Djanara Introvini (@idjanara)
Fotos: Victor Estácio e Mario Guerreiro
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